O DIA EM QUE VI CHAPEUZINHO

 

''O dia em que vi Chapeuzinho'' por Liah G / Nov 2024

Não sei se era adolescente ou um adulto franzino, mas vestia  apenas um moletom escarlate a andar com os pés no chão vagarosamente mata adentro. Pareceu-me que não havia vovozinha para visitar, nem caçador de lobos para espantar algum perigo em sua casa feita de chão, árvores e céu.


A VISÃO

A imagem durou três frames em meu campo de visão para logo em seguida surgir outras imagens em sequência pela janela do carro em movimento em uma rodovia. No rádio tocava U2 - New Year's Day em uma manhã nublada de novembro de 2024.

Ver moradores de rua é sempre inquietante. Evoca vários pensamentos e sentimentos. Não seria a primeira nem a última vez que veria. Aliás, vejo-os sempre, mas em especial naquele dia senti uma urgência em registrar a visão e o fiz assim que cheguei em casa. Rabisquei diretamente com as cores de maneira enérgica. Talvez, querendo representar todos os moradores de rua que já vi, motivada pelo ''capuz vermelho'' que reluzia entre as árvores. Talvez ainda, a urgência em pintar ''Chapeuzinho'' era  por estar me sentindo naquele dia como minha própria analogia. 

Faço isto frequentemente. Traduzir a realidade em minha mente para um modo interpretativo abstrato. Seja por texto, por ilustração... (costumava fazer por música, também). Já havia, em outras vezes, tratado deste tema sobre  ''moradores de rua'' em forma de texto. Como este trecho de uma estória inacabada, mas de um outro ponto de vista:

Horrorizou-se da própria conclusão. E como já era tarde, e não havia quem o contradissesse, foi dormir considerando que o indivíduo mais próximo da liberdade é o mendigo.

 




RELEITURA

Quando vi a cena, a pessoa não segurava um saco. Havia um carrinho de ''catador de recicláveis'' à sua esquerda entre as árvores e o terreno era inclinado para baixo à sua frente.

Mantive o tom melancólico da cena, mas acrescentei contrapontos. A solidão dá lugar ao mistério. Pois no mistério, há diversas possibilidades. As sombras revelam cores ocultas e a clareira torna-se um portal. O que Chapeuzinho encontraria do outro lado da clareira? O que teria dentro do saco? Gostaria que, além do necessário, estivesse cheio de curiosidade e esperança. E do outro lado, a vida idealizada.

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